Recanto da Vovó Lili — onde a vida continua reunindo a gente
Antes da quadra, havia um quintal. Antes dos jogos, havia uma infância inteira acontecendo ali. O Recanto é a continuidade de uma história familiar que ganhou novas vozes, novas risadas e amizades construídas ao redor do esporte.


Foi em 1979, aos seis anos, que fui morar na casa da minha mãe, Aliete Salles, nossa Vovó Lili. Naquele lugar, cresci, atravessei a adolescência e vivi tantos momentos da vida adulta. Cada pedaço guarda uma lembrança minha.
O imóvel era formado por três áreas. Na primeira, a casa. Na segunda, onde hoje fica a garagem, havia galinhas, patos e árvores que enchiam o quintal de sombra e frutas: jambeiro, abacateiro, laranjeira, limoeiro e mangueira. Na terceira, os coqueiros e um grande chapéu de palha abrigavam os encontros da família.
Ainda me vejo subindo nas árvores, brincando com os animais, correndo pelo quintal e comendo as frutas colhidas ali. Entre todos os sabores, a manga espada tem um lugar especial na memória. A mangueira, única daquelas árvores que permanece, continua fazendo parte da nossa história. Olhar para ela é reencontrar um pouco do menino que fui.
Anos depois, minha mãe teve uma ideia: fazer uma quadra para que meus filhos pudessem jogar futebol. Construí a quadra de grama sintética e aproveitei para incluir a marcação do vôlei. Inauguramos em abril de 2014.
O quintal que acompanhou a minha infância passou, então, a receber as brincadeiras dos meus filhos. Eles com o futebol; eu com o vôlei. Outras vozes, outras risadas e novas lembranças foram ocupando aquele mesmo espaço.
Minha mãe faleceu em 2016. A saudade passou a fazer parte da casa, junto com tudo o que ela havia construído em nós. Desde então, o Recanto tem sido um lugar de encontro da família e dos amigos. Continuar reunindo as pessoas ali é uma forma de cuidar desse vínculo e de manter sua memória presente na nossa vida.


Com o tempo, o futebol deixou de acontecer. O vôlei em quarteto seguiu por dez anos, trazendo convivência e amizades que cresceram dentro e fora da quadra. Depois, reformei o espaço: a grama deu lugar à areia, abrindo caminho para o futevôlei, o beach tennis e o vôlei de praia, em quartetos e duplas.
O Recanto foi mudando conosco. Onde eu corria entre árvores, meus filhos jogaram bola. Onde a família se encontrava sob o chapéu de palha, os amigos também passaram a se reunir. E a ideia que nasceu do carinho de uma avó pelos netos continua trazendo pessoas para perto.
Quando olho para esse lugar, vejo todas essas épocas juntas. A casa da minha mãe, o quintal da minha infância, meus filhos crescendo e os amigos chegando para mais um jogo.
